
Para que os mais velhos relembrem outros tempos, em que a Festa Brava se equiparava em importância e seguidores, a futebois e afins, e para os mais novos, que não conheceram esta Época de Ouro da nossa Festa, .....OLE!
Acabou o Arraial, folhas e bandeiras já sem cor...


Nestes tempos em que faltam dois dias para o centenário do Regicídio impõe-se deixar aqui registado o Fado que, a meu ver, melhor traduz o sentimento actual.
Portugal Foi-nos Roubado
Música: Popular
Letra: João Ferreira-Rosa
Portugal foi-nos roubado
Há que dizê-lo a cantar
Para isso nos serve o Fado
Para isso e para não chorar
5 de Outubro que treta
O que foi isso afinal
Dona Lisboa de Opereta
Muito chique por sinal
Sou português e por tal
Nunca fui republicano
O que eu quero é Portugal
Para desfazer o engano
Os heróis dos republicanos
Banqueiros, tropa, doutores
No estado em que ainda estamos
Só lhe devemos favores
Outubro, Maio e Abril
Cinco, dois oito, dois cinco
Reina a canalha mais vil
Neste pano verde e tinto
Sou português e por tal
Nunca fui republicano
O que eu quero é Portugal
Para desfazer o engano.
(Gravura fantasiosa do início do século, não estariam na praça do município nem um décimo dos representados)
Um dos ícones da mitologia fadista, sobretudo ao nível do que se chama de maneira comum o “fado aristocrático” e do fado marialva é o Cavalo Alazão. É-lhe dedicado um fado denominado precisamente “Cavalo Alazão”, que foi popularizado por Carlos Guedes de Amorim ou pelo forcado montemorense Carlos Pegado, numa letra de Maria Manuel Cid e música de Alfredo Marceneiro. O cavalo alazão é ainda referido no fado “Deixaste a vida de outrora” (também uma letra de Maria Manuel Cid) na voz de Teresa Tarouca “De maneira dona airosa/com que montavas pimpão/essa faquinha nervosa/o teu cavalo alazão”. Mais uma jovem fadista montemorense, Inês Vila Lobos se enamorou na garupa do cavalo alazão, senão vejamos, “E à garupa de alazão/o teu corpo ao meu unir.../o teu cavalo julgava/que só te levava a ti. Por outro lado o mestre do fado jocoso Manel Marçal tem cantado ocasionalmente uma versão decadente do dito bicho. Numa letra de Paulo Valente “O meu cavalo coirão, é orgulhoso talvez, mas é coxo de uma mão e manco das outras três...”
Em termos de popularidade é difícil dizer quem será mais famoso, se este Alazão ou o seu maior rival que é sem dúvida o Cavalo Ruço, de Nuno da Câmara Pereira. Vejamos... Câmara Pereira defende que era o cavalo mais lindo do Ribatejo enquanto que Maria Manuel Cid defende que o Alazão era orgulhoso do seu porte e linhagem, Alter de real nobreza com orgulho no seu brazão. Enquanto que o Cavalo Ruço todos sabemos ser filho de uma capona bravia...
Menos conhecido o Cavalo Lusitano interpretado por Manuel da Câmara Nobre raça portuguesa. Mas mesmo assim julguem por vocês. Acho que também tem valor. Ah já só faltam 10 meses para a Golegã...