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segunda-feira, 24 de março de 2008

Fins do Século Passado (popularizado por Manuel de Almeida)




Letra: Carlos Conde
Música: José Marques (Fado Triplicado - de rima triplicada)


Fins do Século Passado
Estamos fora de portas
Vinho tinto canjirões
Uma mulher canta o fado
Anda alegria nas hortas
O amor nos corações

Entra um faia atira um dito
Logo outro faia presume
Que a mulher ri da piada
Um modo, um sorriso, um grito
Uma cena de ciúme
Resolvida à bofetada

Na mesa tosca de pinho
Fidalgos e boleeiros
Que sobre touros dão lei
Ouvem fado, bebem vinho
E falam sobre toureiros
Gado bravo e redondéis

Já vai alta a madrugada
Mas nisto chegam agora
Fadistas em traquitana
E enquanto se canta o fado
O alquilador namora
Os olhos de uma cigana

Fins do Século Passado
Faias, boémios, artistas
Aberturas de agua pé
Tempo em que o fado era fado!
O fadista mais fadista!
O amor mais Português!

Manuel de Almeida



Manuel de Almeida deixou-nos em 1995, mas mais do que isso deixou-nos um riquíssimo espólio no Fado. Confesso que nos tenros anos de vida que levo nunca tive oportunidade de ouvir este, que é um dos grande mestres, cantar. Mas do que ouvi em disco confesso que em poucos fadistas vi tanta raça e sentimento. Sentimento não nas palavras, mas em certas palavras... Há coisas que sabemos que ele está mesmo a sentir quando diz. A raiva e revolta contra o amor negado, as saudades que se vê claramente que sente. Quase que o conseguimos ver morder a língua e esbugalhar os olhos quando diz “Ai que saudades que eu tenho!!”. Regido em grande parte da sua obra pela cartilha do Marialva foi dos fadistas que mais belos amores cantou (sobretudo os impossíveis que a todos tocam à porta). A temática das antigas ramboiadas, as ceias nas hortas, as esperas de gado, os passeios em tipóia ou traquitana, as adegas de carriche ou a noites de fado regadas com canjirões de vinho. Um voz que não se cala nunca no espírito deste jovem blogue (Mais ainda quando eu aprender a pôr música nestas coisas!)